Ao lado das vinhas que dão cor e sabor à região de Lisboa, estão vistas imperdíveis, experiências inesquecíveis e memórias para guardar. Venha conhecê-las.
Pelas estradas da costa Atlântica
Começando em Lisboa, vá pela N6/Marginal até à Boca do Inferno, em Cascais. Siga pela N247 para o Cabo da Roca, pela Serra de Sintra. De Sintra, siga a mesma N247 para a Ericeira, onde pode almoçar peixe da melhor qualidade, acompanhado de um vinho branco fresquinho. A mesma estrada nacional continua, sempre junto à costa, até Peniche, onde vale a pena visitar o ilhéu da Papôa. Siga rumo à Foz do Arelho e São Martinho do Porto e daí a N242 conduz à encantadora Nazaré.
Não há melhor que as estradas costeiras para compreender a influência do Atlântico, que confere frescura e a salinidade características de muitos dos vinhos da região de Lisboa.
Cabo da Roca e Serra de Sintra
Situado entre Cascais e Sintra, o Cabo da Roca é famoso por ser o ponto mais ocidental da Europa continental. Debaixo do farol – um dos mais antigos de Portugal ainda em atividade – consegue-se ter uma pequena ideia da vastidão do oceano.
Ao virar as costas ao mar, fica de frente para a magnífica Serra de Sintra. A falta de vegetação no passado valeu-lhe a alcunha “Monte da Lua”, mas agora está coberta de densa floresta. Escondidos no meio do arvoredo estão monumentos como o Convento dos Capuchos ou o Palácio de Monserrate. Majestosos, como uma dupla coroa, o antigo Castelo dos Mouros e o mais recente Palácio da Pena encabeçam a serra.
Tapada Nacional de Mafra
A Tapada foi construída como terreno de caça por D. João V, no Século XVIII. Tem mais de 800 hectares, cercados de um muro de 21 km, e conta com mais de 200 espécies de árvores.
Mas a joia da coroa da Tapada é a variedade de fauna. Gamos, veados, javalis, raposas, corujas, águias, salamandras e cágados são apenas algumas das espécies que pode encontrar. A Tapada Nacional de Mafra pode ser explorada a pé, através dos trilhos já marcados, ou de bicicleta. Tem ainda a opção de usar o comboio ou o carro elétrico, se preferir.
Canhão Cársico da Ota
Apesar de existirem provas de presença humana com mais de cinco mil anos e até ao período medieval, foi só em 1932 que se começou devidamente a estudar e catalogar este canhão de grande valor natural e histórico. O responsável foi o arqueólogo Hipólito Cabaço, natural de Alenquer.
Na verdade, trata-se do vale do Rio Ota, que corre de sudoeste para nordeste ao fundo de escarpas verticais com mais de cem metros de altura, numa extensão de quase três quilómetros. A exploração, feita através de passeios pedestres, requer prudência e, simultaneamente, tempo para contemplação absoluta.
Arquipélago das Berlengas e Praia da Consolação
Este arquipélago ao largo do Cabo Carvoeiro, Peniche, é composto pela Berlenga Grande, as Estelas e as Farilhões-Forcadas. Só a Berlenga tem presença humana, embora não haja propriamente uma comunidade local, existem edifícios e pessoas que lá vivem e trabalham por turnos. Para além das belezas naturais, pode visitar o Forte de S. João Baptista, a ponte de acesso e o Farol Duque de Bragança, bem como o Bairro dos Pescadores e o Castelinho.
De volta ao continente, aproveite para ir a banhos na Praia da Consolação, que para além de ser um local de descanso tem propriedades terapêuticas para quem sofre de doenças dos ossos.
Lagoa de Óbidos
Para quem gosta de praia, atividade física ou de biodiversidade, a Lagoa de Óbidos tem muito para oferecer. Situada junto à costa, é alimentada por dois braços, o da Barrosa e o do Bom Sucesso, e desagua para o mar através da Aberta, na Foz do Arelho. A presença da aberta e da lagoa diferencia a Foz do Arelho das praias comuns. Há muita oferta de desportos aquáticos, restauração e vida noturna na região.
Os canais são um mundo de diversidade, com a presença comum de ostraceiros, flamingos, rouxinol-grande-dos-caniços, cisnes mudos e patos reais, mas também há peixes, invertebrados e bivalves debaixo da superfície.
Reserva Natural do Paul da Tornada
A reserva natural do Paul da Tornada, localizada nas Caldas da Rainha, é um paraíso para observadores de aves. É composta por vinte e cinco hectares, permanentemente alagados, e rodeados por floresta. Através de dois postos de observação, vêem-se variadas espécies de aves que ali param nas suas rotas migratórias.
Entre as espécies mais comuns estão a garça-vermelha, corvo-marinho-de-faces-brancas e a águia-pesqueira, mas também se veem águias-cobreiras, milhafres-pretos ou caimões. A lontra, o lagarto-de-água e a rela-meridional também fazem parte deste ecossistema constituído por mamíferos, répteis, anfíbios e peixes, como o ruivaco.
Gruta de Alvados
Esta gruta magnífica era um simples abrigo de pastores até começar a ser explorada em 1964. Nove anos mais tarde tornou-se possível a abertura ao público. Atualmente, os visitantes podem ver estalactites, estalagmites e colunas ao longo de uma variedade de salas e lagos.
No total, a gruta tem uma extensão de 350 metros e a altura interior mais significativa chega aos 95 metros. A sala maior, conhecida como a Catedral, tem um impressionante fóssil e na Sala das Estátuas encontra estalactites com vinte e quatro mil anos. Já a Sala Planeta Maravilha é todo um mundo de cores e formas insólitas.
Gruta de Santo António
A Gruta de Santo António, em Porto de Mós, foi descoberta em 1955, mas só começou a ser visitável em 1972, depois da abertura do túnel de acesso. É ali que encontra o primeiro grande ponto de interesse, uma estalagmite com cinco metros, o que equivale a cerca de cinquenta mil anos de idade.
As duas salas estão repletas de estalactites, estalagmites e colunas. A Sala Principal, com quatro mil metros quadrados, é uma das maiores da Europa em formação calcária. O cenário é composto ainda pelos lagos da Palmeira, da Cascata e da Felicidade.
